An introduction to the New Testament – Richard Heard

Modernas Introduções ao Novo Testamento, na sua maioria, se limitam a fornecer introduções aos livros em separado, sua autoria, conteúdo e problemas, com as discussões sobre o texto, o Cânon, a inspiração e o valor do Novo Testamento como um todo. Embora este método de abordagem tenha vantagens consideráveis, especialmente para o leitor leigo, tem a desvantagem de apresentá-lo ao estudo pormenorizado do Novo Testamento, sem focar a sua atenção sobre os problemas religiosos envolvidos.

A importância da aplicação dos métodos modernos de crítica ao Novo Testamento para os cristãos leigos reside na sua influência sobre a nossa atitude em relação a alguns pontos essenciais da nossa religião. Uma vez que tenhamos perdido nossa fé inquestionável com relação à verdade e autoridade de cada palavra contida no Novo Testamento – e poucas pessoas podem estudar os resultados do trabalho do último século sobre o Novo Testamento e manter uma crença como essa – mas tanto as doutrinas que dividem as igrejas cristãs quanto aquelas que têm em comum precisam ser justificadas novamente à luz dessa nova atitude diante dos documentos que as apóiam.   Para citar um exemplo, as diferentes doutrinas do batismo e confirmação em diferentes denominações foram elaborados e estabelecidos com base na verdade e autoridade do Novo Testamento; hoje, vários estudiosos hesitam a aceitar algum dos três ensinamentos sobre batismo nos evangelhos (Mt 28:19, Mc 16:16, Jo 3:5)  como tendo sido ensinados por Jesus, e suas interpretações das referências ao batismo em Atos poderiam ser influenciadas pelo grau de precisão histórica que atribuem ao autor do livro de Atos. Isso não significa, obviamente, que um grande número de críticos competentes negam a instituição do batismo, mas apenas que tais doutrinas deve se embasar num tratamento diferenciado das evidências presentes no Novo Testamento.

É nesse ponto que o leitor cristão leigo tem duas grandes dificuldades a enfrentar e uma grande recompensa a ganhar. As dificuldades decorrentes da falta de segurança inerentes à crítica histórica: julgamentos históricos são raramente unânimes, e devem ser frequentemente revisados; quando as evidências são insuficientes e confusas, como é o caso do Novo Testamento, o historiador não pode atingir mais do que uma probabilidade contestável. O leitor leigo pode esperar ajuda e orientação para chegar às suas próprias conclusões, mas não a ajuda e orientação de uma autoridade infalível.  Por outro lado, ele pode esperar, estudando os resultados e probabilidades, a adquirir um conhecimento verdadeiro sobre como o Cristianismo apareceu no mundo, e um entendimento verdadeiro sobre a vida e ensinamentos de Jesus Cristo, o Filho de Deus.

Nas páginas seguintes é feita uma tentativa de introduzir o leitor à relevância dos livros em separado do Novo Testamento, à luz da sua autoria, circunstâncias de composição e ensinamentos, e algumas das grandes questões religiosas que o envolvem. Quatro dessas questões foram selecionadas como tendo, cada uma delas em particular – mas não exclusivas – conexões com um dos quatro tipos de livros encontrados no Novo Testamento, os Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as Epístolas e o Apocalipse, e estabelecer um quadro para a discussão sobre os problemas relacionados a eles.

A primeira dessas questões, e para a maioria dos cristãos a mais importante, é a que se refere ao valor histórico dos evangelhos. Se eles não estão livres de erros e inconsistências, podem nos permitir formar um quadro geral confiável sobre a vida e ensinos de Jesus?

A segunda questão é primariamente, mas não exclusivamente, relativa ao valor histórico e interpretação do livro de Atos dos Apóstolos. Até que ponto podemos reconstruir a história mais antiga da igreja cristã, e traçar o desenvolvimento da sua ordem, culto, etc?

As questões que surgem sobre autoria e ensinamentos das Epístolas são importantes para esse segundo questionamento, assim como os Evangelhos e relatos de Atos são para o terceiro, que tem relação com o valor das Epístolas para reconstruir o que foi pregado pelos apóstolos sobre o significado da vida, morte e ressurreição de Jesus, e o que eles ensinaram sobre a vida cristã

O quarto questionamento é a respeito do lugar que a expectativa apocalíptica ocupa no Novo Testamento. Embora seja tratado aqui em conexão com o valor do Apocalipse de João, a discussão inevitavelmente envolve tanto a mensagem da igreja apostólica quanto a do próprio Jesus, e o problema principal é o lugar que essa expectativa tinha na mensagem de Jesus.

Cada um desses questionamentos é discutido nas páginas seguintes.

An introduction to the New Testament – Richard Heard

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