Evolução para cristãos

“Nada em biologia faz sentido, a não ser à luz da evolução.” Theodosius Dobzhansky

por Robert J. Schneider

Escolhi esse título para o ensaio sobre a evolução biológica, porque está claro para mim que a maioria dos cristãos conhece muito pouco sobre os detalhes científicos da evolução, inclusive a respeito da enorme quantidade de evidências existentes e que dão suporte à evolução ou à teoria dominante que explica como ela acontece, seleção natural. Isto é verdade tanto para cristãos que aceitam a evolução e apóiam que se ensine a mesma nas escolas públicas dos Estados Unidos, e para aqueles que rejeitam-na e se opõem a que seja ensinada. Parte do problema relacionado com essa ignorância generalizada reside na política de educação local, como ficou claro no primeiro ano que lecionei “Ciência e Fé” no Berea College. Depois de falar sobre a evolução, perguntei aos 20 alunos no seminário se eles haviam aprendido sobre a evolução em alguma das suas aulas do ensino médio. Um por um, a maioria dos estudantes que  estudaram em escolas públicas disseram que, “O professor pulou esse capítulo”. Depois da quinta resposta, eu disse: “Eu sei porque o professor pulou esse capítulo. Ele não queria receber telefonemas, altas horas da noite, com reclamações de pais irados, ou um pedido do diretor para evitar “assuntos polêmicos.”

Muitos dos estudantes do Berea College são expostos a visões negativas a respeito da evolução em suas igrejas. São ensinados que a evolução é contrária à Bíblia, que eles não podem crer em Deus e na evolução, que a evolução é uma filosofia ateísta, e, algumas vezes, que a evolução é uma invenção de Satanás. Qualquer informação que recebem sobre evolução em sermões ou na escola dominical, normalmente é fornecida por criacionistas de terra jovem, e não por cientistas evolucionistas, e, triste dizer isso, o que eles têm ensinado não é uma imagem real, mas uma caricatura. Este ponto de vista anti-evolução pode provocar fortes sentimentos em muitos estudantes quando o tópico aparece nas aulas e exercícios de leitura na faculdade.  Um estudante contou a um de meus colegas que, quando foi exposto à evolução em um curso anterior, ficou fisicamente doente.   Espero e tenho confiança de que esse tipo de reação seja raro, mas deixa clara a dificuldade que eu e outros professores temos ao tentar ajudar estudantes armados e blindados contra a evolução por  autoridades religiosas, a baixar suas defesas e ouvir outro ponto de vista –  para entender a evolução de uma forma diferente e positiva.

[…]Primeiro, eu preciso corrigir um sério equívoco sobre a evolução. “Evolução” é comumente apresentada como uma filosofia materialista tanto por opositores que são criacionistas de terra jovem quanto pelos que são adeptos do design inteligente, e também por aqueles no extremo oposto do espectro de opiniões, que afirmam que o mundo material é tudo que existe. Caso você leia trabalhos de anti-evolucionistas como o criacionista terra jovem Ken Ham, ou o defensor do design inteligente Phillip Johnson, ou de evolucionistas materialistas como o cientista Richard Dawkins e o filósofo Daniel Dennett, você vai descobrir que este grupo tão diferente de cristãos fundamentalistas e ateus fundamentalistas, concordam em uma coisa: se a evolução explica tudo sobre a realidade, e se você aceita isso, então você deve atirar a religião e a crença em Deus pela janela.  Aqueles de nós que aceitam a ciência evolucionista e acreditam que a criação de Deus é evolutiva, rejeitam este tragicamente errôneo ponto de vista. Vou abordar os argumentos desses porta-vozes em ensaios separados mais tarde, mas quero deixar registrado aqui que ambos os lados falham em distinguir entre uma teoria científica que empiricamente descreve o que encontra na natureza, e um sistema materialista de crenças. Os materialistas alegam que sua filosofia necessariamente provém da ciência, e que a evolução eliminou qualquer necessidade de um Deus. Os criacionistas, estranhamente, compram este falso argumento, e concordando que não se pode separar a ciência da filosofia, rejeitam ambos. Então os criacionistas terra jovem oferecem sua “ciência da criação” e os proponentes do design inteligente a sua “ciência teísta”. Em ensaios posteriores, vou demonstrar como ambos reprovam no teste de boa ciência.[…]

Ambos os lados tendem a fazer-se ouvir amplamente em explanações públicas, debates, livros, artigos, sites, e entrevistas em canais de televisão. Mas eles são extremos que excluem a opinião intermediária, que é esta:

evolução é ciência e não uma filosofia materialista; ela não faz explanações sobre qualquer coisa fora da natureza; ela não faz declarações nem a favor nem contra a existência de Deus, ou a noção de que vivemos em um universo criado.

O restante do artigo pode ser lido no link abaixo:

Evolution for Christians – Robert J. Schneider

600--deusedarwinNo restante do ensaio, o autor apresenta uma explanação sobre macro e micro-evolução, apresentando as evidências existentes que suportam ambas. Também fala sobre como as pessoas confundem o significado da palavra “teoria” em se tratando de ciência, como se uma “teoria” não passasse de invenção da cabeça de cientistas desocupados, e não algo que foi construído com base em fatos encontrados na natureza. Explica que a evolução é uma teoria científica embasada em um amplo espectro de dados observados na geologia, paleontologia, ecologia, biologia de populações, genética, biologia do desenvolvimento (e muitas outras áreas científicas). E nesse caso a evolução é aceita tanto como fato quanto como teoria científica, baseada numa enorme quantidade de evidências empíricas.

Entre as evidências empíricas, o autor enumera: registros fósseis de espécies já extintas que continuam sendo encontradas às centenas em diferentes estratos geológicos, e estudados sistematicamente por paleontologistas. Os registros fósseis ajudaram a preencher diversas lacunas que Darwin previu que seriam preenchidas no futuro, inclusive tendo sido encontrados diversos exemplos de formas intermediárias. Vários exemplos são citados.  Outras evidências citadas pelo autor situam-se na área da anatomia comparada, biogeografia (impacto do ambiente na diversificação das espécies) e biologia molecular comparada (sendo que os estudos sobre o DNA evidenciam que todos os seres vivos compartilham uma mesma estrutura – molécula do DNA – e as mesmas quatro bases; e a decodificação do código genético de diversas espécies também é um fortíssimo apoio para a evolução).

Em seguida o autor explica como a evolução ocorre, e sobre como os cientistas trabalham para reconstruir a história da evolução, por meio das relações evolutivas que já foram encontradas entre as espécies, e indica várias literaturas.

Se desejar maiores explicações, consulte seus livros de ciências do ensino médio (eles não são mentirosos como o seu pastor ou professor de escola dominical dizem que são), ou busque literaturas específicas. E se deseja continuar em algum dos extremos anti-evolucionistas (cristãos ou ateus), mesmo sabendo que existe a possibilidade de ter uma visão intermediária, que coloca ciência e fé juntas, cada qual no seu devido lugar, sem desmerecer nenhuma das duas, aí é questão de “fé” sua.

Eu, como todos os que costumam visitar o blog sabem, desde sempre já optei pela coluna do meio (ciência e fé somando uma à outra, e equilibrando forças para a construção do conhecimento).

Ouse evoluir… = )

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: