Liberdade ou escravidão?

O texto abaixo é parte de uma postagem de autoria de Rodrigo Magalhães, a qual pode ser lida na íntegra no link: Regras, mais regras, culpa, dor… essas são as boas novas?

O apego às regras religiosas não vem de hoje, estamos todos cientes disso. Mas aqueles que se entregam para Deus, são, obrigatoriamente, implicados a escolher alguma denominação para congregar, sob o peso de ser taxado de “desviado”, “caído”, dentre outros elogios, se não o faz.
E junto a esta escolha vêm as regras. Regras e mais regras. Uma série de paradigmas são impostos, somos reféns do conhecimento dogmático, o que, por si só justifica a falta de questionamento acerca das coisas. Pois, se nos é dito que é, assim cremos.
Fica a pergunta: É este o modelo que encontramos nas escrituras? É esta a Igreja que Jesus falava? É assim que estamos mais próximos de Deus? Que me perdoem os que assim pensam, mas estão errados! Nosso modelo é Jesus, nosso exemplo é Jesus. Jesus este que não passava dias e noites falando a respeito de promessas vãs. Que não passava o dia inteiro condenando as pessoas, ou impondo a maneira como elas deveriam se portar. Um Jesus que curava de modo visível e irrepreensível.
Hoje, se não seguirmos à risca o que as regras “de conduta cristã” dizem, somos taxados de tudo, menos cristãos. Os “entendidos da fé” gostam de ver mudança, principalmente aquilo que eles tratam como “se afastar do mundo”. Ou seja, devemos ser E.Ts. Ouvi de um irmão há alguns dias, uma história real e que demonstra o que o fanatismo faz na mente das pessoas. Ele relatava que tinha um estabelecimento de estética, ou seja, ganhava a vida cortando cabelos dos clientes. Certa vez um companheiro de congregação chegou ao local e lhe perguntou se ele cortava os cabelos de qualquer um. Depois da resposta, este companheiro lhe condenou dizendo que cortar o cabelo de qualquer um é errado, que ele deveria cortar o cabelo somente de cristãos! Em resposta, meu amigo lhe questionou se ele fazia isso em seu empreendimento, e obteve, logicamente, uma resposta negativa. O companheiro não vendia seus produtos somente para cristãos, mas exigia de seu colega que o fizesse.
É uma realidade triste. As pessoas ainda não conseguiram chegar a uma compreensão do que a Palavra diz. Estabelecem regras de conduta baseadas em absurdos, e quando caem em contradição, dão a entender que estão acima das regras.”

Pois é, Rodrigo. Às vezes me pego pensando sobre esse mesmo assunto. E chego à conclusão de que muitas pessoas, passados já dois mil anos de história no Cristianismo, ainda não entenderam a mensagem de liberdade trazida por Jesus.

E muitos supostos “líderes”, “pastores”, “apóstolos”, “bispos”, “profetas”, continuam achando que estamos no antigo Israel e que eles são sacerdotes desse antigo Israel, os únicos com acesso ao santo dos santos do Templo. E que os cristãos lhes devem obediência, mesmo em suas insanidades, nas suas heresias, pregações mentirosas, falsas promessas, teologias furadas, e devem também engolir todos os seus caprichos, sua ganância, luxos e abusos. Afinal, eles se consideram os “ungidos”.

Foi para a liberdade que fomos chamados, e não para sermos escravos de caprichos de homens, cujo deus parece ser o seu próprio ventre.

Para esses líderes, Deus tem uma triste notícia. Ele não habita em templos feitos por mãos humanas.E tampouco se deixa limitar por estatutos humanamente estabelecidos.

Seguir regras não fazem de ninguém um cristão, e essa lição foi uma das principais ensinadas por Jesus. O que os fariseus mais faziam era seguir regras, tantas regras que esqueciam que as  principais, as que resumiam e incluíam todas as demais, eram: ama a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a ti mesmo. O que faz de qualquer pessoa um cristão, é seguir uma pessoa. Conhecem? O cristão não deve ser reconhecido pelas roupas que veste, ou por andar com a Bíblia embaixo do braço o dia todo, ou viver enfiado na igreja, ou por não ouvir “música do mundo”. O cristianismo está muito além disso, as pessoas é que o diminuem e  limitam para dias determinados dentro da igreja, a regras e doutrinas. É fácil ser cristão dentro da igreja, na hora do culto. Difícil, é ser cristão nas contingências da vida.

Proibir, aterrorizar e impor regras é sempre mais fácil quando o objetivo é ter poder sobre as pessoas. Mas não é o melhor caminho quando o objetivo é tentar ser cristão e levar outras pessoas a escolherem o mesmo caminho.

Mas a culpa por isso não é só de líderes opressores. O opressor só existe porque existem pessoas que se deixam oprimir, e que lhe dão poderes para exercer a opressão. São comodistas demais para se dar ao trabalho de estudar, e preferem ter um intermediário que responda por elas, assim talvez sempre vão ter alguém para culpar quando as coisas derem errado.

É mais cômodo permanecer no erro,  e permanecer sob o jugo de um líder opressor e ditador de regras, do que ter que, talvez, admitir que o erro é seu também.

Pessoas podem nos incitar a errar, mas nem por isso o erro deixa de ser nosso. Nem por isso a responsabilidade deixa de ser nossa.

“Meu povo padece por falta de conhecimento”. E por preguiça também. E comodismo. E por excesso de orgulho e vaidade.

O resultado são líderes com síndrome sacerdotal, se achando pertencentes a uma casta superior privilegiada, representantes de Deus na Terra, acima dos demais; e liderados idólatras, que cultuam seus líderes mais do que a Deus. E esse resultado nefasto, nada tem de discipulado cristão, pois o discipulado cristão se baseia no amor, e não existe amor sem liberdade. Não existe discipulado cristão onde existe separação de pessoas em castas. Não existe discipulado cristão quando um impõe o que bem entende, e os demais obedecem. Não existe discipulado cristão onde existe medo. Porque medo e escravidão não combinam com amor.

Até mesmo quando ia operar milagres, Jesus perguntava se a pessoa realmente desejava o milagre. Ele nunca se impôs e nunca impôs a própria vontade a ninguém. Mas algumas pessoas parecem ter pulado essa lição.

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