Vírus da mente?

O porto que todos o memes precisam alcançar é a mente humana, mas uma mente humana é apenas um artefato criado quando memes reestruturam um cérebro humano para fazê-lo um hábitat melhor para memes. Os caminhos para chegada e partida são modificados para ajustar-se às condições locais, e reforçados por vários dispositivos artificiais que aumentam a fidelidade e prolixidade da replicação: mentes chinesas nativas diferem dramaticamente de mentes francesas nativas, e as mentes alfabetizadas diferem de mentes analfabetas. O que os memes provêem em retorno aos organismos nos quais eles residem é uma quantidade incalculável de vantagens — com alguns cavalos de Tróia misturados também. . .
Daniel Dennett, Consciousness Explained

Acho engraçado que ateus que dizem ser puramente científicos e naturalistas, e não aceitar nada fora do naturalismo, tenham elaborado uma teoria como essa, dos vírus da mente, que é incapaz de sair do campo das idéias, incapaz de sair da filosofia.

Como vírus de computador, vírus da mente de sucesso tenderão a ser difíceis para suas vítimas descobrirem. Se você for a vítima de um, as chances são de que você não saberá disto, e pode até mesmo negar vigorosamente isto. Aceitando que um vírus poderia ser difícil de descobrir em sua própria mente, que sinais indicadores você poderia procurar? Eu responderei imaginando como um livro de medicina poderia descrever os sintomas típicos de um atingido (arbitrariamente assumido como do sexo masculino).” Richard Dawkins

Sei… isso quer dizer que o sr Dawkins não pode provar que tais vírus existem, certo? A não ser dentro da mente dele mesmo. Aí ele alega que são difíceis de serem detectados e que a pessoa doente nega ser vítima deles (então como ele os detectou? onde estão as provas? ele usou o método científico pra isso?) Se tais “vírus” estão somente no campo das idéias e da filosofia, são tão subjetivos quanto as convicções que levam alguém a ter fé.

Sintomas alegados pelo sr Dawkins:

1. O paciente se acha tipicamente impelido por alguma convicção profunda, interna, de que algo é verdade, ou correto, ou virtuoso: uma convicção que não parece dever nada à evidência ou razão, mas que, não obstante, ele sente como totalmente compelidora e convincente. Nós doutores nos referimos a tal convicção como “fé”.

Ah, convicções pessoais viraram doença agora, só porque o “doutor” Dawkins quer. E ele parte do princípio de que a “fé” necessariamente depende da ausência da razão ou de evidências para existir. E razões pessoais ou subjetivas deixam de ser razões válidas? Não. Premissa errada, “doutor” Dawkins. Eu poderia dizer o mesmo sobre a sua convicção sobre esses “vírus”. O senhor também está profundamente convencido de que Deus não existe, apesar de afirmar que Deus “provavelmente” não existe em seu livro “Deus, um delírio” (“provavelmente não existe” não é a mesma coisa que “com certeza não existe”, certo? – então, sua posição ateísta é irracional. O senhor mesmo admite que seja provável a não existência, mas não pode ter certeza, e apesar disso, é ateu – devia ser agnóstico então, e não ateu, certo?), mas para comprovar sua tese, precisa de “teorias” como essa para ridicularizar a fé alheia, totalmente sem fundamento científico. Ou isso tem algum fundamento científico? Até agora só vi nisso mais um tipo de filosofia. Aliás, eu li esse seu livro, e não me tornei ateísta no final da leitura; achei o livro muito fraco em argumentos, além de usar muito de generalizações sem fundamento.

2. Pacientes tipicamente atribuem uma virtude positiva à fé ser forte e inabalável, apesar dela não ser baseada em evidência. De fato, eles podem sentir que quanto menos comprovada, mais virtuosa é a convicção.

Querido Dawkins, de novo, você pode afirmar que evidências subjetivas e pessoais, que levam alguém a ter fé em algo, não são boas evidências? Podem não ser boas evidências para a ciência ou para o senhor, mas são perfeitamente suficientes para a pessoa que tem fé; e as suas evidências quanto aos tais “vírus” da mente, não são em nada diferentes das evidências que levam alguém a ter fé em algo como Deus, por exemplo. Não são nem um pouco melhores, nem um pouco mais comprovadas. Então, opinião por opinião, eu prefiro a minha. Pelo menos estou convicta dela muito mais do que estou a respeito da sua. Até mesmo o senhor apresenta os sintomas da “doença” que pretende descrever, ao defender a existência de “memes” ou “vírus da mente”.

3. Um sintoma relacionado que um afligido pela fé também pode apresentar é a convicção de que o “mistério”, per se, é uma coisa boa. Não é uma virtude resolver mistérios. Ao contrário, nós deveríamos desfrutá-los, até mesmo nos divertir com sua insolubilidade.

Um mistério: de onde Richard Dawkins tirou a teoria dos vírus da mente? = P

4. O atingido pode se achar comportando-se de forma intolerante a vetores de fés de rivais, em casos extremos até mesmo matando-os ou defendendo suas mortes. Ele pode ser similarmente violento em sua disposição para com apóstatas (as pessoas que uma vez celebraram a fé, mas renunciaram isto); ou para com hereges (as pessoas que defendem uma versão diferente — freqüentemente, talvez significativamente, apenas ligeiramente diferente — da fé). Ele também pode se sentir hostil para com outros modos de pensamento que são potencialmente inimigos à sua fé, como o método de razão científica que pode funcionar quase como um software antivirótico.

Generalização não é uma forma muito honesta de defender idéias, muito menos para alguém que diz tanto defender a verdadeira ciência. Assim como existem pessoas intolerantes na fé religiosa, existem também pessoas intolerantes na política, e até no meio científico, elas estão em todos os lugares. Olhe-se no espelho, senhor Dawkins, e estará vendo uma dessas pessoas que são intolerantes, apesar de serem cientistas. E nem por isso eu posso afirmar que todos os cientistas são intolerantes, só porque o senhor é. O senhor Dawkins está, de novo, apresentando sintomas da própria “doença” que está descrevendo. O ativismo e intolerância contra todo tipo de religião que o senhor apresenta em sua conduta, não é um sintoma da “doença”? Então, senhor Dawkins, lamento informar que o senhor está infectado. Mas conforme suas próprias palavras mais acima no texto, o senhor pode não admitir isso e até mesmo negar, não é?

5. O paciente pode notar que as convicções particulares que ele mantém, embora não tenham nada a ver com evidência, de fato parecem ter muito ver com a epidemiologia. Por que, ele pode desejar saber, eu mantenho este conjunto convicções em lugar daquele outro? Será porque eu examinei todas as fés do mundo e escolhi aquela cujas alegações pareciam as mais convincentes? Quase certamente não. Se você tiver uma fé, é de forma estatística esmagadoramente provável que seja a mesma fé que seus pais e avós mantinham. Não há nenhuma dúvida de que erguer catedrais, criar música, histórias comoventes e parábolas ajuda um pouco. Mas sem dúvida a variável mais importante que determina sua religião é o acaso do nascimento. As convicções que você mantém tão apaixonadamente teriam sido um conjunto de convicções completamente diferente, e largamente contraditório, se você tivesse simplesmente nascido em um lugar diferente. Epidemiologia, não evidência.

E as suas convicções, senhor Dawkins, sua intolerância contra a fé alheia, seu preconceito contra religiosos, sua forma apaixonada de atacar as religiões (em vez de se ater ao campo científico, onde não cabem paixões, mas apenas a razão), não são, de novo, sintomas da própria doença que está pretendendo descrever?

E o que dizer do texto abaixo?

“[…]Até um quarto de século atrás, os cientistas acreditavam que o comportamento religioso era produto da socialização ou da educação recebida em casa. Não é o que diz a pesquisa de Laura Koenig, psicóloga americana da Universidade de Minnesota, que acaba de divulgar o resultado de seus estudos com gêmeos. Em seu relatório, Koenig atribui ao DNA cerca de 40% de participação no nível de religiosidade de uma pessoa. É um número que impressiona. Para se ter uma comparação, sabe-se que os genes são responsáveis por 27% dos casos de câncer de mama, por exemplo.[…]

[…]A idéia de um “gene de Deus” refere-se ao componente inato do homem para a espiritualidade. Não significa que exista um gene que faça com que as pessoas acreditem em Deus, e sim que a predisposição a ser espiritual (seja seguir preceitos religiosos fechados, acreditar na existência de um ser superior ou buscar uma origem esotérica para o mundo) é herdada por nós geneticamente.[…]

[…]Se a religiosidade está mesmo sob influência da genética, fica implícito que esse traço foi selecionado durante o processo evolutivo. O que nos leva a crer que, provavelmente, trouxe vantagens adaptativas para os primeiros crentes. Algumas descobertas sugerem quais podem ter sido. Sabe-se que a espiritualidade já foi associada, por exemplo, com o comportamento altruísta, e a falta dela com índices maiores de criminalidade. No plano físico, estudos demonstram que o otimismo promovido pela fé está relacionado a uma saúde mais forte, avaliada pela menor incidência de derrames e enfermidades cardíacas. As taxas de abuso de drogas, alcoolismo, divórcio e suicídio são muito mais baixas entre os religiosos, que também sofrem menos de depressão e ansiedade do que a população em geral, e quando sofrem se recuperam mais rápido. Com certeza, traços que ajudaram nossos antepassados a viver mais.[…]

[…]Essa força universal também foi explicada por outra área do conhecimento, a psicologia analítica, introduzida pelo psiquiatra suíço Carl Jung (1875-1961). Segundo sua teoria dos arquétipos (conteúdos simbólicos da mente, compartilhados por toda a humanidade), a busca por Deus – ou pela plenitude, ou por si mesmo – é um elemento básico da psique humana.[…]

[…]Mas tudo isso pode, ainda, ser invenção de Deus. Há quem defenda até que os genes façam parte do sofisticado projeto divino para a humanidade. Enquanto as origens e os efeitos da religiosidade podem ser medidos pela ciência, a existência de Deus, só pela fé. Mas isso não significa ter de mantê-las separadas. Como bem apontou Albert Einstein, a ciência sem religião é manca e a religião sem ciência é cega.”

Fonte: Os genes de Deus

6. Se o paciente for uma das exceções raras que seguem uma religião diferente de seus pais, a explicação ainda pode ser epidemiológica. É verdade, é possível que ele tenha examinado desapaixonadamente as fés do mundo e escolheu a mais convincente. Mas é estatisticamente mais provável que ele tenha sido exposto a um agente infeccioso particularmente potente — um John Wesley, um Jim Jones ou um São Paulo. Aqui nós estamos falando sobre transmissão horizontal, como no sarampo. Antes, a epidemiologia era a de transmissão vertical, como a Chorea de Huntington.

Senhor Dawkins sempre subestimando a inteligência das pessoas. Estatisticamente mais provável? E onde está a pesquisa que comprova sua afirmação? Em qual periódico científico ela foi publicada? O senhor pesquisou isso, pesquisou uma amostra representativa de todas as pessoas do planeta que escolheram uma determinada fé, em todos os tempos desde a existência da humanidade, e comprovou que elas o fizeram por terem sido expostas ao que o senhor preconceituosamente chama de “agentes infecciosos”? Se não o fez, então está afirmando isso com base em quê? Ou está apenas tentando apelar para a autoridade da estatística, para dar maior credibilidade à sua teoria? (e essa sim não passa de teoria, Darwin ficaria envergonhado do senhor, não acha?) E outra, a simples exposição a um “agente infeccioso” não é obrigatoriamente suficiente para ocasionar uma “doença”, como o senhor deve saber muito bem. Depende de uma série de outros fatores.

7. As sensações internas do paciente podem ser incrivelmente remanescentes àquelas normalmente associadas com o amor sexual. Esta é uma força extremamente potente no cérebro, e não é surpreendente que alguns vírus evoluíram para explorá-la. A famosa visão orgástica de Santa Teresa de Ávila é muito notória para precisar ser citada novamente. Mais seriamente, e em um plano menos cruamente sensual, o filósofo Anthony Kenny provê o testemunho comovente ao puro prazer que espera aqueles que conseguem acreditar no mistério da transubstanciação.

Novamente, mais generalizações baseadas em alguns exemplos, que não se aplicam a todas as pessoas que têm algum tipo de fé. Muito científico isso, não é, senhor Dawkins?

Na epistemologia, temos algumas definições. As crenças, a verdade e o conhecimento. Existem os seguintes tipos:  crenças não justificadas; crenças verdadeiras e justificadas (que em epistemologia chama-se “conhecimento”; e a verdade.

Acredito que ser humano algum é capaz de conhecer tudo, por nossas próprias limitações – ninguém pode afirmar que possui “conhecimento” – dentro da definição epistemológica do que seja ele – sobre todas as coisas – quem diz isso não passa de um mentiroso ou um iludido.

Epistemologicamente falando, é perfeitamente possível uma pessoa considerar sua fé como uma crença verdadeira e justificada, ainda que de forma pessoal e subjetiva, mesmo que outras pessoas que não compartilham da mesma fé, não a aceitem como tal.

A fé, ou crença seria apenas mais uma forma de se chegar ao conhecimento. Não é uma forma inválida, como o sr Dawkins deseja insinuar, comparando-a com uma doença. E ao contrário do que ele afirma, a fé não necessariamente precisa ir totalmente contra a razão, ou não ter base em evidências. Depende de como ele define “evidência”.

Uma evidência, quando utilizada para servir de base para uma teoria científica puramente material e naturalista, deve ser vista como tal pela maioria das pessoas. Do contrário, não seria possível elaborar nenhuma teoria cientificamente verificável em cima dela, pois jamais haveria consenso a respeito de uma teoria científica, cujas evidências não são vistas como tal pela maioria dos cientistas. Mas esse é o único tipo de evidência que existe?

A teoria dos vírus da mente de Richard Dawkins, por exemplo, e as supostas evidências, ou sintomas, que ele apresenta para sustentá-la, são consenso entre a maioria dos cientistas? Ou é uma crença verdadeira e justificada somente para ele e alguns poucos radicais como ele?

Richard Dawkins: A religião seria um memeplexo, isto é, um conjunto de memes que costumam florescer na presença uns dos outros, tal como acontece com certos complexos de genes. Mas, ao contrário dos bons memes, a religião não se dissemina porque é útil. Ela salta de uma mente para outra como uma infecção, ou como um vírus de computador, que só se propaga porque traz embutida uma instrução codificada: “Espalhe-me”. “

Não é desonestidade intelectual dizer que a religião não é útil? Não é ignorar as contribuições das religiões ao longo da história da humanidade, com o objetivo, talvez, de colocar a ciência em seu lugar? Não é preciso ser muito inteligente, para saber que a ciência nem sempre produz coisas úteis para a humanidade. Para citar apenas um exemplo: armas de destruição em massa, são úteis para a humanidade? A ciência deve, por causa do mau uso que alguns fazem dela, ser desconsiderada ou considerada ela toda, como inútil? Se esse tipo de generalização não cabe para a ciência, por que caberia para as religiões? Isso é ser desonesto, senhor Richard Dawkins. Isso é ser parcial, e ser parcial não é uma atitude científica, concorda?

Existe uma grande diferença entre a religião entendida como um conjunto de dogmas, muitas vezes humanamente estabelecidos e visando exercer domínio sobre um grupo de pessoas, e a religião no sentido mais profundo da palavra: religar a pessoa com Deus, com si mesmo e com o próximo. E quando uma pessoa como o senhor Richard Dawkins, um cientista inteligente, usa a palavra apenas no seu aspecto negativo, é de se supor que esteja mal intencionado. A intenção dele é puramente mostrar apenas um lado da história, para dar maior confiabilidade ao seu ponto de vista. Lamentável isso. Demonstra que ele é tão dogmático quanto os dogmáticos religiosos que critica.

O mal do ser humano é o fanatismo, e fanáticos não existem apenas nas religiões. Também não é preciso ser “doutor” para enxergar isso. Fanatismo é uma condição mental desequilibrada, um fanático é aquele que deixou de raciocionar, age cegamente em nome do que acredita, e isso não se limita à questões religiosas. A verdadeira religião leva o ser humano ao equilíbrio, e não ao fanatismo.

Dogmatismo; atitude filosófica defendida por Descartes segundo a qual podemos adquirir conhecimentos seguros e universais, e ter absoluta certeza disso.

Ceticismo; atitude filosófica oposta ao dogmatismo a qual duvida de que seja possível um conhecimento firme e seguro, esta postura foi defendida por Pirro.

Relativismo; atitude filosófica defendida pelos sofistas que nega a existência de uma verdade absoluta e defende a idéia de que cada indivíduo possui sua própria verdade. Esta verdade depende do espaço e o tempo.

Perspectivismo; atitude filosófica que defende a existência de uma verdade absoluta mas pensa que nenhum de nós podemos chegar a ela senão que chegamos a uma pequena parte. Cada ser humano tem uma visão da verdade.

Ou seja, existem várias formas de ver a busca do conhecimento, e nenhuma delas é filosoficamente mais verdadeira nem mais certa do que as outras. Assim como existem diversos tipos de inteligência, e nenhuma pessoa é igualmente inteligente em todos os sentidos que essa palavra engloba (segundo alguns psicólogos: lingüística, matemática, visual, musical, física, emocional, espiritual, interpessoal, ambiental e prática). Logo, o senhor Richard Dawkins não tem base alguma para comparar a fé alheia com uma “doença”, e a sua própria visão de mundo ateísta,  como “saudável”. E assim, também não tem motivos para considerar a si mesmo como um ser superior aos demais, por supostamente não sofrer dessa “doença” que atribui a outros, mas da qual ele mesmo apresenta claros sintomas.

Como tenho sempre observado, nós seres humanos temos essa necessidade de nos compararmos uns aos outros, e encontrar formas de ver a nós mesmos como superiores a outras pessoas. É difícil entender que não existem superiores nem inferiores, mas apenas pessoas diferentes de nós. A forma de pensar de Richard Dawkins, é tão ou mais preconceituosa e intolerante que a de certos religiosos fanáticos, mas ele parece não perceber isso, o que é lamentável para alguém que se considera melhor do que um religioso, por não ser um deles.

Religiosidade e Saúde Mental: uma revisão

“Este estudo de revisão sistemática identificou 850 artigos sobre a relação entre religiosidade e saúde mental, publicados ao longo do século XX e incluiu também uma atualização com artigos publicados após o ano de 2000, bem como algumas pesquisas brasileiras.

A ampla maioria das pesquisas de boa qualidade encontrou que maiores níveis de envolvimento religioso estão associados positivamente a indicadores de bem estar psicológico tais como: satisfação com a vida, felicidade, afeto positivo e moral mais elevado, bem como menos depressão, pensamentos e comportamentos suicidas, uso/abuso de álcool e drogas.
Apesar da religiosidade e espiritualidade serem algo importante para a grande maioria das pessoas, até recentemente este assunto não era incluído nos currículos escolares de profissionais de saúde e administradores de empresas.
Nas últimas duas décadas, centenas de pesquisas têm apontado para a existência de relação entre religiosidade e saúde tanto no campo da medicina como da psicologia. Esta constatação tem feito com que universidades passem a se preocupar em formar profissionais que saibam como abordar questões espirituais e religiosas como importante influência do comportamento humano no contexto de prevenção e tratamento de doenças.
A maneira como as pessoas usam a religião para entender e enfrentar os problemas e eventos estressantes pode ser positiva ou negativa. Segundo alguns estudiosos, ter uma atitude religiosa de enfrentamento positiva envolve comportamentos tais como: tentar encontrar uma lição de Deus no evento estressante, fazer o que estiver ao seu alcance e deixar o resto nas mãos de Deus, procurar apoio de membros da igreja, pensar sobre como a vida é parte de uma força espiritual maior, buscar uma religião para ajudá-lo a encontrar uma nova direção para a vida quando o antigo tipo de vida não é mais viável, e tentar oferecer suporte espiritual e conforto a outras pessoas. Ter uma atitude religiosa negativa para lidar com os problemas seria: esperar passivamente que Deus controle a situação, pensar nos problemas como sendo castigo de Deus ou como uma ação do Diabo, e questionar o amor de Deus.
Pesquisadores descreveram elementos funcionais presentes em todas as religiões que podem promover boa saúde mental, são eles: consciência de Deus, aceitação da graça e do amor de Deus, arrependimento e responsabilidade social, fé e confiança, envolvimento em uma religião organizada, companheirismo, ética, tolerância e abertura para as experiências dos outros.”

A verdadeira religiosidade ou espiritualidade (que está muito além do conceito que a maioria das pessoas têm sobre religião), traz benefícios não só ao praticante como às pessoas que convivem com o praticante. E não é um ateu como o Richard Dawkins (que sequer sabe do que está falando quando critica a fé alheia – convenientemente olhando apenas o lado negativo e omitindo os aspectos positivos – ou seja, sendo parcial, uma atitude totalmente anti-científica) que vai convencer quem já experimentou esses benefícios, e sabe que eles são reais. Enquanto médicos ressaltam a fé, e algum tipo de crença ou atividade religiosa, como auxiliares nos tratamentos médicos, e alguns até defendem que a fé faz bem à saúde, tanto física quanto mental, e influencia o sistema imunológico de forma positiva, um suposto “doutor” chamado Dawkins, diz que a fé é doença. Não é lamentável isso? Não é desonestidade? Não é parcialidade?

Não digo que somente a fé pode curar, mas que ela tem influência, isso tem, queira o senhor Dawkins ou não.

O dogmatismo ateísta é tão ruim quanto o dogmatismo supostamente “em nome de Deus”. E conheço ateus dogmáticos, que são muito piores do que os teístas. Ateus que se dizem não religiosos, mas tratam o ateísmo e a ciência como novas religiões, que como outras tentaram fazer no passado, precisa destruir as demais e se impor. Não creio que o caminho seja por aí.

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