Sobre a fé e as obras

“Portanto, meus amados irmãos, todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.  Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus. Por isso, rejeitando toda a imundícia e superficialidade de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas. E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era. Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito. Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã. A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo”. (Tiago 1:19-27)

“Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas  minhas obras. Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem. Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?” (Tiago 2:14-20)

Se a salvação é pela fé, precisamos das obras? Sim. Mas não precisamos das boas obras para tentar agradar Deus, como alguns pensam, que precisam ser bons para merecer o amor de Deus. Você deseja ser bom e ter boas obras, porque Deus amou você primeiro.

A fé sem obras é morta em si mesma. Mas se você realiza tais obras pensando em agradar Deus, parecer menos pior diante dEle, sua motivação está errada. Ele já nos ama, não precisamos “comprar” esse amor com boas obras.  Não é o que fazemos ou deixamos de fazer que gera amor em Deus por nós, mas é o amor que Ele já tem por nós, que gera o amor em nós, e esse amor que recebemos gratuitamente dEle, leva às obras que dirigimos a outras pessoas. Quando você ama e é amado, naturalmente vai desejar expressar isso em meios concretos, as obras.

As obras seriam uma consequência natural da fé. Se você tem fé, mas essa fé não gera amor pelos outros, sua fé é morta. Se você tem fé, mas não se sente inclinado a deixar de olhar o seu próprio umbigo e se importar com outras pessoas e não só com você mesmo, sua fé é morta. Se a sua fé não gera em você o desejo de distribuir esse amor que vem do alto a outras pessoas, sua fé é morta. Uma vez eu brinquei dizendo que tínhamos que descobrir uma forma de empacotar e distribuir isso… mas essa forma de distribuir já existe, pessoas necessitadas existem em cada esquina, basta ter olhos para enxergá-las. Desvie o foco do seu umbigo, e deixe Deus demonstrar amor por essas pessoas, através de você.

Adianta você falar sobre o amor de Deus a alguém, sendo você um inquisidor agressivo, que adoraria comprar ingressos para assistir à queima de todos os pecadores no inferno? Alguém vai acreditar no que você diz, se a sua atitude mostra o contrário?

Adianta você dizer que ama seu irmão e que Deus também o ama, se o manda embora sem matar sua fome, sem saciar sua sede, sem sarar suas feridas, sem prover suas necessidades (que podem ser de apenas um abraço, uma mão estendida, um ouvido disposto a ouvir), sem fazer com que essa pessoa se sinta realmente amada?

É lícito você satisfazer essas necessidades do próximo, e no minuto seguinte exigir que o próximo “aceite” Jesus e comece a frequentar a sua igreja? Ele não fará isso naturalmente, se descobrir que ali existe amor e não só discurso vazio? E se ele não fizer, você tem direito de criticá-lo ou dizer que é ingrato?

Se você espera com isso fazer prosélitos para a sua igreja, novamente a motivação está errada. Na verdade, a única motivação certa que deve nortear nossas ações, é o amor que vem do alto. Se isso vai fazer com que outras pessoas se “religuem” com Deus e descubram também o amor dEle, não importa, esse não deve ser o foco. O que importa é que eu me permita amar como Deus ama, amar por amar, sem segundas intenções, e sem fazer acepção de pessoas.

Porque até um tolo é capaz de amar seus amigos e fazer coisas boas para eles.

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