Falácias criacionistas

“o que me deixa mais impressionado em toda essa “busca pela verdade”, se é que eu posso falar que existe realmente uma busca, é que toda vez que eu vejo um artigo, uma citação, um comentário que venha de um criacionista tentando contradizer a Evolução, eu sempre encontro uma fraude, uma tentativa desesperada de esconder algo, tudo isso sem fazer muito esforço…” André Ortiz

http://evolucionismoerazao.blogspot.com/2008/10/falcias-criacionistas.html

“Claro que distorcer ciência é a única saída dos criacionistas para aldrabar as audiências de crédulos para que discursam e explica porque razão não «pregam» para audiências com um pouco mais de conhecimentos científicos. A desonestidade intelectual e o hábito de deturparem ciência ou citarem completamente fora do contexto inúmeros cientistas (apresentando-os falsamente como «descrentes» da evolução) explica também porque razão a comunidade científica se irrita tanto com as contínuas mentiras dos criacionistas.”

http://dererummundi.blogspot.com/2007/12/criacionismodesonestidade.html

“O criacionista apresenta um fabuloso argumento contra a evolução, que na maioria dos casos não é novidade nenhuma e já foi refutado á nascença. Mas mesmo assim é apresentado como se fosse a última e invencível arma contra a evolução. As refutações aparecem logo a seguir e normalmente têm a ver com a forma como o fabuloso argumento distorce o que é a evolução. É costume os criacionistas dizerem que a evolução é por acaso, ou que a seleção natural só elimina e por isso não é criativa. Ou então falam a-posteriori da improbabilidade da vida; ou citam livros que já foram refutados pelos próprios autores, como o Livro “Evolução: uma teoria em crise” cujas ideias Denton já não aceita, porque ele agora é evolucionista como mostra no seu livro mais recente “O Destino da Natureza”. Também é costume usarem declarações de evolucionistas fora de contexto, como se apoiassem o criacionismo. Ou então usam o argumento da complexidade irredutível que ignora que a evolução não é linear e que as adaptações para novas funções partem quase sempre do que já existe e executa outras funções.

Bem. Mas nada disto importa. Vejam o que o criacionista faz depois de ser refutado. É Brilhante.

Eles respiram fundo, fazem uma autolavagem cerebral, aquardam uns tempos e depois repetem tudo outra vez. E vão continuar a repetir até que o outro lado se canse. Então, vencendo o inimigo pelo cansaço, o criacionista diz triunfalmente: “Estão a ver. Vcs não conseguem refutar os meus argumentos. Ganhei.” E pronto, lá vão eles pelo mundo fora divulgar a boa nova…”

http://clubecetico.org/forum/index.php?topic=1654.0

Como veremos por todo este site, todo o “argumento” dos criacionistas é construído sobre a desonestidade intelectual. Embora algumas das asneiras criacionistas possam ser aceitas com benevolência como erros honestos, incompreensões ou equívocos ocasionados por sua quase completa falta de compreensão científica, muitos de tais exemplos não podem ser vistos como outra coisa senão tentativas deliberadas, calculadas de enganar seus leitores.

As táticas mais comuns vistas dos criacionistas é o uso de “citações” de “evolucionistas” que, segundo eles, “provam” que a teoria evolucionária tem problemas insustentáveis. Na realidade, os criacionistas até mesmo possuem seu próprio Livro Vermelho de Citações, o Revised Quote Book (Creation Science Foundation, Austrália, 1990), que lista páginas e mais páginas de “citações”.

http://www.geocities.com/gilson_medufpr/misquote.html

Trato repetidas vezes desse assunto aqui, porque fico indignada com as mentiras que muitos usam na tentativa de justificar sua fé. Sou cristã, mas também sou cientista. E quando leio textos oriundos de supostos “cientistas” criacionistas, que apesar de todas as evidências em contrário, continuam dizendo que criacionismo é científico, tenho exatamente a mesma impressão de fraude, de estar lendo mentiras, de ver pessoas falando, falando, falando, mas não provando coisa alguma do que afirmam contra o evolucionismo.  Repetindo de novo: o livro do Gênesis NÃO É UM TRATADO CIENTÍFICO! Não pode ser lido como um, muito menos interpretado como tal.

E para encerrar a discussão, vejamos. Quando se fala em evolucionismo, estamos falando em ciência, método científico. Quando estamos falando sobre literalidade do livro de Gênesis, estamos falando sobre fé. Ciência e fé são coisas diferentes. Não posso responder a uma pessoa que está falando sobre fé, usando ciência; nem ela pode argumentar comigo usando sua visão sobre literalidade do Gênesis, para discutir sobre ciência. Não tem cabimento, são coisas diferentes e, a meu ver, complementares, que explicam realidades diferentes. Elas não são auto-excludentes, eu não preciso negar uma para aceitar a outra, apenas devo procurar fazer com que ambas se harmonizem dentro de mim, de forma a ter um conhecimento mais completo, tanto das coisas visíveis quanto das coisas que não se vê.

Deus é muito maior do que esse fundamentalismo que tem agido de forma desonesta, hostilizando a ciência quando ela contraria seus dogmas e ameaça seu poder. Deus não cabe nos nossos pré-conceitos, somos incapazes de explicá-lo com nossas vãs definições, mas insistimos em querer enfiá-lo numa caixa de dogmas.

Me surpreendeu um texto do Vaticano coordenado pelo atual Papa Joseph Ratzinger a respeito disso, quando era cardeal:

“A leitura fundamentalista parte do princípio de que a Bíblia, sendo Palavra de Deus inspirada e isenta de erro, deve ser lida e interpretada literalmente em todos os seus detalhes. Mas por « interpretação literal » ela entende uma interpretação primária, literalista, isto é, excluindo todo esforço de compreensão da Bíblia que leve em conta seu crescimento histórico e seu desenvolvimento. Ela se opõe assim à utilização do método histórico-crítico, como de qualquer outro método científico, para a interpretação da Escritura.

A leitura fundamentalista teve sua origem na época da Reforma, com uma preocupação de fidelidade ao sentido literal da Escritura. Após o século das Luzes, ela se apresentou no protestantismo como uma proteção contra a exegese liberal. O termo « fundamentalista » é ligado diretamente ao Congresso Bíblico Americano realizado em Niagara, Estado de New York, em 1895. Os exegetas protestantes conservadores definiram nele « cinco pontos de fundamentalismo »: a inerrância verbal da Escritura, a divindade de Cristo, seu nascimento virginal, a doutrina da expiação vicária e a ressurreição corporal quando da segunda vinda de Cristo. Logo que a leitura fundamentalista da Bíblia se propagou em outras partes do mundo ela fez nascer outras espécies de leituras, igualmente « literalistas », na Europa, Ásia, Africa e América do Sul. Esse gênero de leitura encontra cada vez mais adeptos, no decorrer da última parte do século XX, em grupos religiosos e seitas assim como também entre os católicos.

Se bem que o fundamentalismo tenha razão em insistir sobre a inspiração divina da Bíblia, a inerrância da Palavra de Deus e as outras verdades bíblicas inclusas nos cinco pontos fundamentais, sua maneira de apresentar essas verdades está enraizada em uma ideologia que não é bíblica, apesar do que dizem seus representantes. Ela exige uma forte adesão a atitudes doutrinárias rígidas e impõe, como fonte única de ensinamento a respeito da vida cristã e da salvação, uma leitura da Bíblia que recusa todo questionamento e toda pesquisa crítica.

O problema de base dessa leitura fundamentalista é que recusando de levar em consideração o caráter histórico da revelação bíblica, ela se torna incapaz de aceitar plenamente a verdade da própria Encarnação. O fundamentalismo foge da estreita relação do divino e do humano no relacionamento com Deus. Ele se recusa em admitir que a Palavra de Deus inspirada foi expressa em linguagem humana e que ela foi redigida, sob a inspiração divina, por autores humanos cujas capacidades e recursos eram limitados. Por esta razão, ele tende a tratar o texto bíblico como se ele tivesse sido ditado palavra por palavra pelo Espírito e não chega a reconhecer que a Palavra de Deus foi formulada em uma linguagem e uma fraseologia condicionadas por uma ou outra época. Ele não dá nenhuma atenção às formas literárias e às maneiras humanas de pensar presentes nos textos bíblicos, muitos dos quais são fruto de uma elaboração que se estendeu por longos períodos de tempo e leva a marca de situações históricas muito diversas.

O fundamentalismo insiste também de uma maneira indevida sobre a inerrância dos detalhes nos textos bíblicos, especialmente em matéria de fatos históricos ou de pretensas verdades científicas. Muitas vezes ele torna histórico aquilo que não tinha a pretensão de historicidade, pois ele considera como histórico tudo aquilo que é reportado ou contado com os verbos em um tempo passado, sem a necessária atenção à possibilidade de um sentido simbólico ou figurativo.

O fundamentalismo tem muitas vezes tendência a ignorar ou a negar os problemas que o texto bíblico comporta na sua formulação hebraica, aramaica ou grega. Ele é muitas vezes estreitamente ligado a uma tradição determinada, antiga ou moderna. Ele se omite igualmente de considerar as « releituras » de certas passagens no interior da própria Bíblia.

No que concerne os Evangelhos, o fundamentalismo não leva em consideração o crescimento da tradição evangélica, mas confunde ingenuamente o estágio final desta tradição (o que os evangelistas escreveram) com o estágio inicial (as ações e as palavras do Jesus da história). Ele negligencia assim um dado importante: a maneira com a qual as próprias primeiras comunidades cristãs compreenderam o impacto produzido por Jesus de Nazaré e sua mensagem. Ora, aqui está um testemunho da origem apostólica da fé cristã e sua expressão direta. O fundamentalismo desnatura assim o apelo lançado pelo próprio Evangelho.

O fundamentalismo tem igualmente tendência a uma grande estreiteza de visão, pois ele considera conforme à realidade uma antiga cosmologia já ultrapassada, só porque encontra-se expressa na Bíblia; isso impede o diálogo com uma concepção mais ampla das relações entre a cultura e a fé. Ele se apóia sobre uma leitura não-crítica de certos textos da Bíblia para confirmar idéias políticas e atitudes sociais marcadas por preconceitos, racistas, por exemplo, simplesmente contrários ao Evangelho cristão.”

Texto completo aqui: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#I.%20M%C3%89TODOS%20E%20ABORDAGENS%20PARA%20A%20INTERPRETA%C3%87%C3%83O

Não concordo com muitas coisas na igreja católica, mas nos parágrafos acima, vejo muita lucidez e também equilíbrio. A própria igreja católica já cometeu muitos erros e tem sua história manchada de sangue inocente (e também defendeu o literalismo bíblico, principalmente em suas fases mais negras de combate contra a ciência, e em suas disputas de poder político). Mas A interpretação literal da Bíblia tira dela toda a sua essência, e muitas vezes também extirpa toda a sua poesia, nos impede de perceber a visão de mundo dos seus autores, diante do conhecimento do qual eles dispunham e sua cultura. E nos impede também de ver o lugar de destaque que o relacionamento com Deus tinha na vida deles, pois a Bíblia, no caso o Antigo Testamento, é essencialmente um conjunto de livros que tenta contar a história de seres humanos totalmente falhos (exatamente como cada um de nós), tentando se relacionar com Deus (não é um compêndio de história acadêmica, não é um tratado de ciências exatas nem ciências biológicas). E esse relacionamento muitas vezes tinha bases erradas, pois foi necessária a vinda de Jesus, para tentar mostrar a eles que Deus deseja ser adorado em espírito e verdade, e não se agrada de sacrifícios, rituais vazios e aparência de santidade. E que Ele nos ama como filhos, e não deseja que nos coloquemos diante dEle como crianças assustadas, que morrem de medo de despertar a ira de um Pai violento, que por qualquer motivo está pronto para fazer correr rios de sangue. Outra coisa que Jesus tentou mostrar, foi a prisão em que havia se transformado a religiosidade de sua época. A religiosidade havia se transformado num instrumento de exercício de poder, que usava Deus como meio, e um pequeno grupo de sacerdotes como intermediários entre Deus e as pessoas comuns. E para esse pequeno grupo de sacerdotes, quanto mais medo de Deus as pessoas tivessem, melhor.

Depois de Jesus, qualquer um pode se achegar a Deus, e saber que o amor lança fora todo o medo. Inclusive o medo de pensar sobre a Bíblia.

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3 Responses to Falácias criacionistas

  1. Cícero disse:

    Prezada,
    A Bíblia é criacionista, pois o Criador criou a criação, como mostrado em várias passagens, eis algumas:

    Rom 1:20 – Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;

    Rom 8:20 – Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou,

    Rom 8:22 – Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.

    Col 1:15 – O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;
    Etc, …

  2. Nelson Alves disse:

    Sou evangelico e acredito na evolução (fósseis, etc)
    E acredito tambem na criação (a bilblia nos diz isso a mais de 2000 anos)
    Explico:
    A criação (Adão e Eva) foram expulsos do paraiso, ou seja, foram mandados para outro lugar
    A partir daí, a história deles, passa a ser contada, na bilblia, aqui
    Quando eles vieram para cá, já existiam outros povos vivendo aqui(fósseis provam)
    Deus, ao mandar Jesus, a intenção, de inicio,foi salvar somente os descendentes de Adão e Eva, mas eles não aceitaram, pois já estavam cegos a isso
    Então, TODOS foram convidados a essa salvação, mas a condição é aceitar Jesus, e então chegar a Deus.
    O paraiso existe e está lá, á espera daqueles que abrirem os olhos para a verdade.
    ¨Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará¨

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