Uma rosa branca contra Hitler

Chamavam-se Hans, Sophie e Chistoph. Eram estudantes na Universidade de Munique, nesse ano de 1943. A 21 de Fevereiro encontram-se presos na sede da administração penitenciária da Gestapo. O crime? Espalharam panfletos contra Hitler e seu regime. Denunciados, foram submetidos a duros interrogatórios, através dos quais confessaram a culpa mas sem denunciar os seus outros amigos também implicados.

Ao todo são cinco rapazes, uma moça e um professor. Nove meses atrás constituíram uma rede de ação contra o nazismo: ‘A Rosa Branca. Hans Scholl, impressionado pelas homilias do Monsenhor von Galen, bispo de Munique (uma das vozes da Igreja alemã mais inconformadas na denúncia de Hitler), teve a iniciativa. Por diversas vezes escreveram slogans nas paredes e espalharam panfletos pela capital da Baviera, estendendo a sua ação a outras cidades. É tal a sua influência que outros grupos farão o mesmo em Freiburg, Ulm, Colônia e Berlim.

Os seis pertencem a confissões diferentes, mas todos assumem o Evangelho e os valores cristãos que transparecem nos seus escritos: “Por todo o lado, o homem experimenta, na sua fragilidade imanente, a tentação de renegar a sua dignidade de ser livre. Em todo o lugar e em todas as épocas de extrema miséria, homens se ergueram, santos ou profetas, que defenderam a liberdade, recordaram o caminho para o Deus único e exortaram o povo a recuar nos seus erros. Certamente, o homem é livre, mas sem o socorro do verdadeiro Deus, permanece impotente perante o mal; torna-se como um barco sem leme, abandonado à tempestade.”

http://sdpv.blogspot.com/2009/02/uma-rosa-branca-contra-o-odio-e-mentira.html

O Rosa Branca (Weisse Rose), atuante em Munique e em Hamburgo, foi o movimento de resistência de jovens alemães mais conhecido durante o Terceiro Reich. Seu núcleo era formado por universitários de 21 a 25 anos de idade, entre estes os irmãos Hans e Sophie Scholl, Alexander Schmorell, Willi Graf e Christoph Probst.

Os panfletos, que começaram a ser distribuídos nas caixas de correio de intelectuais dos grandes centros na Baviera e na Áustria, condenavam a resistência passiva contra a guerra e a opressão intelectual pelos nazistas. Os textos revelavam o alto nível cultural de seus redatores e apelavam a valores religiosos.

Nos quatro primeiros panfletos, distribuídos entre 27 de junho e 12 de julho de 1942, foram usados em profusão trechos apocalípticos da Bíblia. Os dois últimos folhetos, entretanto, tiveram um estilo completamente adverso. Em linguagem direta, apresentavam planos concretos para a Alemanha pós-guerra, dirigindo-se a todas as camadas da população.

Primeira derrota chocou a população alemã

A morte de 300 mil alemães na batalha de Stalingrado, em fevereiro de 1943, representou uma reviravolta na Segunda Guerra Mundial. A primeira derrota alemã alimentou a resistência em todas as cidades européias ocupadas pelos nazistas e ao mesmo tempo chocou a população do país.

Willi Graf, Alexander Schmorell e Hans Scholl passaram a noite pichando Abaixo Hitler e Liberdade nas paredes da universidade e de prédios vizinhos. O grupo Rosa Branca aproveitou a ocasião, publicando um novo panfleto. A estratégia era redigir os textos em máquina de escrever, copiá-los e enviá-los pelo correio a partir de várias cidades diferentes.

Descobertos enquanto depositavam suas mensagens nos corredores do prédio principal da Universidade de Munique, os irmãos Hans e Sophie Scholl foram presos pela Gestapo, a polícia política de Hitler. Junto com Christoph Probst, foram julgados no dia 22 do mesmo mês. Em pouco mais de três horas de julgamento, foram condenados à morte e executados no mesmo dia. Os demais membros do grupo de resistência Rosa Branca de Munique foram executados após julgamentos sumários, entre abril e outubro de 1943.

Mais indignação do que ideologia

O objetivo dos panfletos era abalar a confiança dos alemães no Führer, despertar ao menos um mínimo de dúvidas sobre a veracidade da propaganda feita pelo regime e alimentar eventuais células de resistência no próprio povo alemão. O movimento surgiu menos de uma ideologia política e mais da indignação com a forma como os alemães aceitavam o nazismo e a guerra feita em seu nome.

A coragem dos membros do Rosa Branca ficou conhecida em toda a Alemanha ainda no decorrer da Segunda Guerra. O escritor Thomas Mann reconheceu seus méritos publicamente, num pronunciamento transmitido pela BBC no dia 27 de junho de 1943. Reproduções do último panfleto da resistência estudantil, feitas na Inglaterra, foram jogadas pelos aviões britânicos sobre território alemão.

Durante o segundo semestre de 1943, a Gestapo descobriu em Hamburgo um grupo de resistência que divulgava os panfletos do movimento de Munique. Dos 50 participantes, oito universitários foram condenados à morte: Hans Konrad Leipelt, Greta Rothe, Reinhold Meyer, Frederick Gaussenheimer, Käte Leipelt, Elisabeth Lange, Curt Ledien e Margarete Mrosek. (rw)

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,583317,00.html

Existem alguns filmes que falam sobre a história do movimento de resistência liderado por esses jovens universitários cristãos.  Um deles é “Sophie Scholl – os últimos dias”, de 2005. Outro é “Uma mulher contra Hitler”, também de 2005.

Leia aqui uma reportagem da revista Veja da época em que os irmãos Scholl foram executados. O nome da reportagem é “Um grito de liberdade”, publicada em fevereiro de 1943: http://veja.abril.com.br/especiais_online/segunda_guerra/edicao005/sub3.shtml

Se fosse hoje, o que os evangélicos adeptos da teologia da prosperidade, os animadores de púlpito, os mercadores gospel, os macumbeiros gospel, diriam sobre isso? Esses jovens alemães não ganharam prosperidade e, para os padrões dos defensores da teologia da prosperidade, e do ufanismo gospel, eles não foram nada abençoados, afinal, morreram na guilhotina em nome do que acreditavam.

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One Response to Uma rosa branca contra Hitler

  1. Carlos Costa disse:

    Foram mártires pela liberdade! A Segunda Guerra Mundial foi algo irreal. Quem viveu naquele tempo, devia pensar que era o fim da humanidade.

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