O que penso sobre o massacre de Gaza – Ricardo Gondim

O povo palestino padece horrores.

Bertolt Brecht afirmou: “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o oprimem”.
Quem conseguiria  não reagir diante de grande opressão? Os palestinos vivem sem comida, sem o direito de ir e vir, sem trabalho, espremido numa faixa que mais parece um grande cortiço. Sim, há ódios antigos, mas eles reagem porque paz não existe sem justiça.

O governo de Israel promove um massacre absurdo sobre um povo geometricamente menos poderoso. Mas faz porque tem o respaldo dos Estados Unidos e conta com o silêncio corrupto dos países árabes.

A imprensa mundial está proibida de entrar na Faixa de Gaza. Quando Israel veta a imprensa mundial de testemunhar o que acontece ali, tudo fica muito suspeito. Será que o seu objetivo último não seria fazer uma limpeza étnica, ver-se livre de um povo que o odeia, sem ser denunciado pelo mundo livre?

Como sou líder de uma comunidade cristã, horrorizo-me com os evangélicos, que mais uma vez sustentam a leitura simplória da Bíblia que sempre fizeram. Para se manterem coerentes, apóiam um exército profissional numa carnificina sem precedentes. Tenho vergonha dos crentes! Já recebi e-mails celebrando as bombas como sinal da volta de Cristo (certamente eleitas pelo Divino), com direito a Aleluia, e acompanhados do mais abjeto chavão: “Deus está no controle”!

Sei de todos os argumentos, não sou ingênuo. Sobram explicações que legitimam o direito de um povo trucidar o outro. Os mortos das valas comuns, que entulham a história, foram enterrados com tais explicações. Para mim, basta um argumento, o de Jesus Cristo: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: ‘Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus'” – Mt.5.43).

Violência só acrescenta ira ao ódio, para gerar mais morte. Não, não aprovo que os palestinos disparem foguetes, não concordo com o terrorismo (religioso ou de Estado), não faço vista grossa à ira fundamentalista islâmica que busca jogar Israel no meio do mar. Contudo alguém tem que quebrar o ciclo perverso da vingança. Sugiro que o mais forte comece. Só isso!

Soli Deo Gloria.

Link: http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=65&sg=0&form_search=&pg=1&id=2075

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