A águia e a coruja

A águia e a coruja eram as melhores caçadoras da floresta. Ambas perceberam que seriam beneficiadas, se fizessem entre si um pacto de não-agressão. Firmaram então um acordo. A coruja disse à águia:

– Eu não comerei os seus filhotes, e você não comerá os meus.

A águia concordou, e perguntou à coruja como faria para reconhecer os filhotes da coruja. A coruja respondeu:

– É fácil. Meus filhotes são as criaturas mais lindas e encantadoras da mata. Quando encontrar num ninho, os mais belos e encantadores filhotes, saberá que são os meus, e não os comerá.

A águia e a coruja se separaram. Algumas semanas mais tarde, a águia encontrou o ninho da coruja. Estavam no ninho, uns filhotes muito feios, de penugem esbranquiçada e olhos esbugalhados. Verdadeiros monstrinhos. Falou para si mesma: bom, essas criaturas tão feias não podem ser os filhotes da coruja, que como ela disse, são os mais lindos e encantadores da mata; logo, vou devorá-los. E assim, devorou os filhotes da coruja e saiu dali, despreocupada.

Voltando ao ninho e não encontrando seus filhotes, a coruja entrou em desespero. Procurou a águia e foi tirar satisfações a respeito de seus filhotes que a mesma havia devorado, quebrando o acordo anteriormente firmado. A águia ficou admirada e respondeu:

-Mas comadre coruja, como eu poderia ter adivinhado que aqueles monstrinhos eram seus filhotes?

Bom… o acordo não teria sido quebrado se cada uma tivesse mostrado à outra os seus filhotes como realmente são. Mas pais e mães não enxergam os filhos como eles realmente são, eles os enxergam com as lentes do amor.

O amor do Pai por nós também é assim. Mesmo que sejamos verdadeiros monstrinhos, para Ele somos as criaturas mais lindas e encantadoras da Terra. Mas, ao contrário da coruja, o Pai não faz acordos obscuros com a águia. Deixa bem claro: Esses são MEUS FILHOS, que amo com amor eterno, e neles você não tocará.

Mesmo assim a águia ainda tenta dar umas bicadas… às vezes o Pai permite que ela dê umas bicadas de leve, pra que seus filhotes acordem. Às vezes é o Pai mesmo quem dá as bicadas e sacode o ninho para os filhotes acordarem. Afinal, pai que é pai, corrige seus filhos. E o Pai não é diferente… aliás, Ele nos corrige sempre, enquanto nossos pais às vezes são coniventes com nossos erros.

Mas só são devorados, os filhos que se deixam devorar, se jogando no bico da águia… igual caranguejo na panela, que só se dá conta da morte, quando a água já está fervendo. O Pai bem que avisa: “Filho, saia daí”. Mas o filho não ouve: “Que nada, Pai, a água está gostosa, saio não”…

Depois que a água começa a ferver, o filho grita: “Pai, me tira daqui!”

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