História da origem e estabelecimento da Inquisição em Portugal – Alexandre Herculano

Novembro 22, 2009

“Há aí a hipocrisia, que, depois de minar debaixo da terra durante anos, surge, enfim, à luz do sol e, balouçando o turíbulo, incensa todos os que abusam da força, declarando-os salvadores da religião, como se a religião precisasse de ser salva ou coubesse no poder humano destruí-la. Tudo isso tumultua e brada; tudo isso tripudia à porta do pretório e traduz o sussurrar das orgias que vão lá dentro em anúncios de paz e de prosperidade. O vulgacho espera de cima a realização dos seus ódios contra a classe média, a satisfação à sua inveja; os velhos interesses pensam numa indenização impossível; os hipócritas querem aproveitar o ensejo de granjear as multidões para o fanatismo e, com tal intuito, recorrem a um meio, infalível em todos os tempos, para se obter esse fim, o ínculcarem-lhes de preferência o que na superstição há de afirmações mais incríveis. — Os milagres absurdos renascem, multiplicam-se em frente dos recrutamentos: o convento e a casa professa já disputam ao quartel a geração nova. O cercilho e o bigode jogam o futuro sobre o tambor posto em cima da ara. O praguejar soldadesco cruza-se com a antifona do breviário. A água benta aspergida do hissope episcopal, vai diluir no chão o sangue coalhado dos espingardeamentos, e o sacerdote crê ter afogado o clamor daquele sangue que se imbebe na terra, porque entoou hossanas sacrílegos ao triunfar dos algozes, no momento em que as vítimas caíam mártires da sua fé na civilização e na liberdade.”

[...]O fanatismo tem a nobreza de todas as paixões ardentes: ergue os olhos para Deus, que calunia, mas a quem crê servir e honrar: é a tempestade do coração humano que passa grandiosa, como as da natureza, e que deixa após si um sulco de estragos. A hipocrisia, suprema perversão moral, é o charco podre e dormente que impregna a atmosfera de miasmas mortíferos e que salteia o homem no meio de paisagens ridentes: é o réptil que se arrasta por entre as flores e morde a vítima descuidada. A civilização, nos seus progressos, enfraquece gradualmente o fanatismo, até o aniquilar. A hipocrisia vive com todos e com tudo e acomoda-se a qualquer grau de cultura social. Se mão robusta lhe rasga o manto da religiosidade de que se cobriu, rindo impiamente, e aponta aos que passam as suas pústulas asquerosas, brada contra a calúnia, chora e declara-se mártir, reservando no peito para os dias propícios vinganças que ultrapassem a ofensa e que, vindas dela, são sempre implacáveis.

Foi por isso que o Salvador assinalou a hipocrisia com o selo da sua tremenda maldição. Aquele para quem o futuro não tinha mistérios sabia que ela seria em todos os tempos a mais cruel inimiga do cristianismo e da humanidade.”[...]

[...]Se é delatado, às vezes por testemunhas falsas, qualquer desses malaventurados, por cuja redenção Cristo morreu, os inquisidores arrastam-no a um calabouço, onde lhe não é lícito ver céu nem terra e, nem sequer, falar com os seus para que o socorram. Acusam-no testemunhas ocultas, e não lhe revelam nem o lugar nem o tempo em que praticou isso de que o acusam. O que pode é adivinhar e, se atina com o nome de alguma testemunha, tem a vantagem de não servir contra ele o depoimento dessa testemunha. Assim, mais útil seria ao desventurado ser feiticeiro do que cristão. Escolhem-lhe depois um advogado, que, freqüentemente, em vez de o defender, ajuda a levá-lo ao patíbulo. Se confessa ser cristão verdadeiro e nega com constância os cargos que dele dão, condenam-no às chamas e os seus bens são confiscados. Se confessa tais ou tais atos, mas dizendo que os praticou sem má tenção, tratam-no do mesmo modo, sob pretexto de que nega as intenções. Se acerta a confessar ingenuamente aquilo de que é culpado, reduzem-no à última indigência e encerram-no em cárcere perpétuo. Chamam a isto usar com o réu de misericórdia. O que chega a provar irrecusavelmente a sua inocência é, em todo o caso, multado em certa soma, para que se não diga que o tiveram retido sem motivo. Já se não fala em que os presos são constrangidos com todo o gênero de tormentos a confessar quaisquer delitos que se lhes atribuam. Morrem muitos nos cárceres, e ainda os que saem soltos ficam desonrados, eles e os seus, com o ferrete de perpétua infâmia. Em suma, os abusos dos inquisidores sãos tais, que facilmente poderá entender quem quer que tenha a menor idéia da índole do cristianismo, que eles são ministros de Satanás e não de
Cristo.”
[...]

Alexandre Herculano

História da origem e estabelecimento da Inquisição em Portugal – Alexandre Herculano (livro online)


The Quest for the historical Israel – Israel Finkelstein & Amihai Mazar

Novembro 21, 2009

Três décadas de diálogo, discussão e debate entre as disciplinas inter-relacionadas com a arqueologia Sírio-palestina, história antiga de Israel e a bíblia hebraica, sobre a relevância dos dados constantes na bíblia para a reconstrução histórica do antigo Israel, criaram a necessidade de uma articulação equilibrada dos problemas e suas potenciais soluções. Este livro reúne pela primeira vez sob uma única obra,  This book brings together for the first time and under one cover, um paradigma emergente e corrente, articulado por duas figuras importantes nos campos de arqueologia e história de Israel. Apesar de Finkesltein e Mazar possuírem pontos de vista diferentes sobre a história antiga de Israel, eles concordam que as informações culturais, as tradições bíblicas e as antigas fontes escritas do Oriente Próximo são todos significantes para a busca histórica sobre Israel. Os resultados da pesquisa de ambos foram organizadas em uma síntese acessível e paralela da reconstrução histórica do antigo Israel, que facilita a comparação e o contraste entre as interpretações. Os ensaios históricos aqui apresentados são baseados em palestras dadas em outubro de 2005, no Sixth Biennial Colloquium of the International Institute for Secular Humanistic Judaism em Detroit, Michigan.

The Quest for the Historical Israel: Debating Archaeology and the History of Early Israel – Israel Finkestein & Amihai Mazar


Isto és tu – Joseph Campbell

Novembro 15, 2009

isto-es-tu-religiaoSinopse: Isto És Tu, obra organizada , é uma seleção de conferências e ensaios de Joseph Campbell que aborda a tradição judaico-cristã, seus símbolos e metáforas e os interpreta à luz de seus notáveis conhecimentos da mitologia mundial. Principalmente, estabelece a diferença entre a interpretação literal e a metafórica da religião e reexamina a função essencial dos símbolos judaicos como chave para a compreensão da espiritualidade e da revelação mística.Nas seleções que compõem este volume, Joseph Campbell fornece uma base para o nosso entendimento da tradição judaico-cristã. Ele evoca, por exemplo, a qualidade viva do povo judeu e a riqueza simbólica do Velho Testamento, e com sensibilidade e respeito genuínos ilumina a majestade da crença e história judaicas. De modo idêntico, Joseph Campbell refamiliariza cristãos com a aura de significados que pairam sobre as narrativas religiosas do Novo Testamento. Como é nesta aura, isto é, nas conotações que, por sua natureza, se desenvolvem das metáforas, que na abordagem da história judaica deve ser encontrada a mais profunda significação das histórias da vida e obra de Jesus.

Isto és tu – Joseph Campbell


Reading the bible again for the first time – Marcus J. Borg

Novembro 14, 2009

biblefirsttimeReading the bible again for the first time – taking the bible seriously but not literaly – Marcus J. Borg

  • Paperback: 336 pages
  • Publisher: HarperSanFrancisco (February 5, 2002)
  • Language: English
  • ISBN-10: 0060609192
  • ISBN-13: 978-0060609191

Reading the Bible Again for the First Time é a continuação de outro livro de Marcus Borg, chamado Meeting Jesus Again for the First Time.  Assim como o livro anterior, este também é escrito para leigos, cuja fé tenha sido frustrada pela idéia errada de que a alegação do fundamentalismo, de ser a única fé verdadeira, é válida.  Borg, professor de religião na Oregon State University, descreve uma alternativa aos fundamentalistas assim chamados leitores “literais da bíblia. (Ele acredita que esta leitura “literal-factual não corresponde à essa descrição, e que as limitações de tais leituras têm alienado muitas pessoas que de outra forma continuaria fazendo parte da igreja.) Borg chama sua alternativa de leitura metafórica-histórica”, uma forma de “levar a bíblia a sério sem interpretá-la literalmente.” Reading the Bible começa com a história dos conflitos recentes a respeito da interpretação bíblica.  Borg navega sobre os campos minados do assunto com sensibilidade e precião, explicando, por exemplo, a distinção importante entre leituras evangélica e fundamentalista da bíblia. E então nos oferece leituras histórico-metafóricas de alguns textos chave tanto do antigo quanto do novo testamento.  Ao longo do livro, Borg escreve com tranquilidade e respeito por aqueles que discordam dele.   Reading the Bible é um guia confiável ao projeto do qual leva o nome. É um exercício fiel da razão, comprometido a ajudar cristãos a ouvir mais claramente as muitas vozes registradas na bíblia. –Michael Joseph Gross

Reading the bible again for the first time – Marcus J. Borg


Finding organic church – Frank Viola

Novembro 3, 2009

51+qngqvmRL._SL500_AA240_Há  muitos anos nós temos necessidade de um livro que mescle o Novo Testamento com as experiências práticas atuais nas áreas de plantação e sustento de igrejas. Alguns livros muito úteis do século passado foram:  “The Church and the Work” de Watchman Nee e  “Missionary Practices: St. Paul’s or Ours’?”, de Roland Allen, ambos citados nesse novo livro de Viola. Entretanto, o que tem sido necessário é um olhar novo, com uma experiência real de vida nesta área. Nós precisávamos de alguém para dar uma linguagem moderna e dentro do contexto,  do que Deus está fazendo hoje. Frank Viola faz exatamente isso em “Finding Organic Church.” Ele se baseia tanto no Novo Testamento, quanto em vinte e um anos de experiência plantando e trabalhando com igrejas ao estilo do Novo Testamento. Este trabalho será inestimável para quem pretende estar envolvido com essas igrejas e especialmente para aqueles que se sentem chamados por Deus para plantá-las. O livro é dividido em quatro partes principais:

* Plantando a semente – Princípios bíblicos para o plantio de igrejas
* Preparando o solo – Respostas a perguntas
* Cultivando o solo – Passos práticos para começar
* Arrancar as plantas daninhas – Saúde e desenvolvimento

Em todas essas partes, Viola usa uma visão biológica (orgânica) da igreja, como é no Novo Testamento, e trata o tema em todos os seus pontos. Então mergulha em áreas que incluem: A necessidade de plantadores itinerantes de igrejas, formas de Deus de plantio de igrejas, objeções e questões, ajuda prática para os encontros e a vida em comunidade, os estágios de crescimento de uma igreja orgânica, as estações, as doenças de uma igreja orgânica, e como se cuida de uma igreja orgânica. Este livro abrange os tópicos de encontrar, plantar e sustentar expressões orgânicas de igreja. Não posso recomendar esse livro o bastante. É sem dúvida um tesouro repleto de recursos e útil para qualquer um envolvido ou interessado na forma pela qual Deus planta e cuida da Sua igreja na Terra hoje.  – Rebuilders, 2009.

Finding organic church: a comprehensive guide to starting and sustaining authentic christian comunities -  Frank Viola