Isto és tu – Joseph Campbell

Novembro 15, 2009

isto-es-tu-religiaoSinopse: Isto És Tu, obra organizada , é uma seleção de conferências e ensaios de Joseph Campbell que aborda a tradição judaico-cristã, seus símbolos e metáforas e os interpreta à luz de seus notáveis conhecimentos da mitologia mundial. Principalmente, estabelece a diferença entre a interpretação literal e a metafórica da religião e reexamina a função essencial dos símbolos judaicos como chave para a compreensão da espiritualidade e da revelação mística.Nas seleções que compõem este volume, Joseph Campbell fornece uma base para o nosso entendimento da tradição judaico-cristã. Ele evoca, por exemplo, a qualidade viva do povo judeu e a riqueza simbólica do Velho Testamento, e com sensibilidade e respeito genuínos ilumina a majestade da crença e história judaicas. De modo idêntico, Joseph Campbell refamiliariza cristãos com a aura de significados que pairam sobre as narrativas religiosas do Novo Testamento. Como é nesta aura, isto é, nas conotações que, por sua natureza, se desenvolvem das metáforas, que na abordagem da história judaica deve ser encontrada a mais profunda significação das histórias da vida e obra de Jesus.

Isto és tu – Joseph Campbell


Reading the bible again for the first time – Marcus J. Borg

Novembro 14, 2009

biblefirsttimeReading the bible again for the first time – taking the bible seriously but not literaly – Marcus J. Borg

  • Paperback: 336 pages
  • Publisher: HarperSanFrancisco (February 5, 2002)
  • Language: English
  • ISBN-10: 0060609192
  • ISBN-13: 978-0060609191

Reading the Bible Again for the First Time é a continuação de outro livro de Marcus Borg, chamado Meeting Jesus Again for the First Time.  Assim como o livro anterior, este também é escrito para leigos, cuja fé tenha sido frustrada pela idéia errada de que a alegação do fundamentalismo, de ser a única fé verdadeira, é válida.  Borg, professor de religião na Oregon State University, descreve uma alternativa aos fundamentalistas assim chamados leitores “literais da bíblia. (Ele acredita que esta leitura “literal-factual não corresponde à essa descrição, e que as limitações de tais leituras têm alienado muitas pessoas que de outra forma continuaria fazendo parte da igreja.) Borg chama sua alternativa de leitura metafórica-histórica”, uma forma de “levar a bíblia a sério sem interpretá-la literalmente.” Reading the Bible começa com a história dos conflitos recentes a respeito da interpretação bíblica.  Borg navega sobre os campos minados do assunto com sensibilidade e precião, explicando, por exemplo, a distinção importante entre leituras evangélica e fundamentalista da bíblia. E então nos oferece leituras histórico-metafóricas de alguns textos chave tanto do antigo quanto do novo testamento.  Ao longo do livro, Borg escreve com tranquilidade e respeito por aqueles que discordam dele.   Reading the Bible é um guia confiável ao projeto do qual leva o nome. É um exercício fiel da razão, comprometido a ajudar cristãos a ouvir mais claramente as muitas vozes registradas na bíblia. –Michael Joseph Gross

Reading the bible again for the first time – Marcus J. Borg


Finding organic church – Frank Viola

Novembro 3, 2009

51+qngqvmRL._SL500_AA240_Há  muitos anos nós temos necessidade de um livro que mescle o Novo Testamento com as experiências práticas atuais nas áreas de plantação e sustento de igrejas. Alguns livros muito úteis do século passado foram:  “The Church and the Work” de Watchman Nee e  “Missionary Practices: St. Paul’s or Ours’?”, de Roland Allen, ambos citados nesse novo livro de Viola. Entretanto, o que tem sido necessário é um olhar novo, com uma experiência real de vida nesta área. Nós precisávamos de alguém para dar uma linguagem moderna e dentro do contexto,  do que Deus está fazendo hoje. Frank Viola faz exatamente isso em “Finding Organic Church.” Ele se baseia tanto no Novo Testamento, quanto em vinte e um anos de experiência plantando e trabalhando com igrejas ao estilo do Novo Testamento. Este trabalho será inestimável para quem pretende estar envolvido com essas igrejas e especialmente para aqueles que se sentem chamados por Deus para plantá-las. O livro é dividido em quatro partes principais:

* Plantando a semente – Princípios bíblicos para o plantio de igrejas
* Preparando o solo – Respostas a perguntas
* Cultivando o solo – Passos práticos para começar
* Arrancar as plantas daninhas – Saúde e desenvolvimento

Em todas essas partes, Viola usa uma visão biológica (orgânica) da igreja, como é no Novo Testamento, e trata o tema em todos os seus pontos. Então mergulha em áreas que incluem: A necessidade de plantadores itinerantes de igrejas, formas de Deus de plantio de igrejas, objeções e questões, ajuda prática para os encontros e a vida em comunidade, os estágios de crescimento de uma igreja orgânica, as estações, as doenças de uma igreja orgânica, e como se cuida de uma igreja orgânica. Este livro abrange os tópicos de encontrar, plantar e sustentar expressões orgânicas de igreja. Não posso recomendar esse livro o bastante. É sem dúvida um tesouro repleto de recursos e útil para qualquer um envolvido ou interessado na forma pela qual Deus planta e cuida da Sua igreja na Terra hoje.  – Rebuilders, 2009.

Finding organic church: a comprehensive guide to starting and sustaining authentic christian comunities -  Frank Viola


Why evolution is true – Jerry A. Coyne

Outubro 31, 2009

coyne_why_evolution_is_trueCom grande cuidado, atenção às evidências científicas e com um estilo maravilhosamente acessível, Coyne, um geneticista evolucionista da Universidade de Chicago, nos apresenta um esmagador estudo sobre evolução. Variando da biogeografia à geologia, da anatomia à genética, e da biologia molecular à fisiologia, demonstra que a teoria evolucionista fez previsões que foram comprovadas de forma consistente pelos dados encontrados posteriormente – um requerimento básico para tornar válida qualquer teoria científica. Adicionalmente, apesar de ter todo o respeito por aqueles que promovem o design inteligente e o criacionismo, usa os dados disponíveis para demolir o pensamento de que o criacionismo é embasado em evidências, ao mesmo tempo que explica porque tais idéias estão fora dos limites científicos . Coyne aborda diretamente o conceito muitas vezes defendido por fundamentalistas, de que a aceitação da evolução deve conduzir à imoralidade, concluindo que a evolução nos explica de onde viemos, não para onde podemos ir. Os leitores que procuram compreender o processo da evolução e buscam respostas para a maioria das objeções criacionistas mais comuns,  devem encontrar tudo o que precisam neste livro, que é mais claro e mais compreensível que muitos outros que tratam sobre o mesmo assunto.

Why evolution is true – Jerry A. Coyne – Amazon.com


Gravatte, o salteador

Outubro 20, 2009

por Victor Hugo, no  primeiro volume de Os Miseráveis

Vem a propósito aqui um facto que não devemos omitir, por ser um dos que melhor dão a conhecer o carácter do virtuoso bispo de Digne.

Depois de destroçada a quadrilha de Gaspar Bés, terrível bandido que infestara as gargantas de Olialles, refugiara-se na montanha com mais alguns salteadores que conseguiram escapar à justiça, um dos seus lugares-tenentes, chamado Gravatte. Conservando-se algum tempo oculto no condado de Nice, Gravatte entrou no Piemonte e, quando menos era esperado, reapareceu em França, do lado de Bercelonette, sendo visto primeiro em Jausiers e depois em Tuiles. Oculto nas cavernas de Joug-de-1’Aigle, fazia frequentes incursões nos lugares e aldeias dos arredores, descendo pelos barrancos de Ubaye e do Ubayette.

Uma noite, chegou mesmo a entrar em Embrun, onde penetrou na catedral, roubando todos os objectos que se encontravam na sacristia. Os seus repetidos assaltos traziam a terra em contínuo e terrível sobressalto. Destacou-se um corpo de gendarmeria para o perseguir, mas foi trabalho baldado. Escapava-se sempre e até algumas vezes resistia às forças mandadas em sua perseguição.

No meio deste terror, chegou o bispo, que andava a fazer as suas visitas pelo distrito de Chastelar. O maire foi ao seu encontro e pretendeu convencê-lo de quanto seria prudente voltar para trás, pois Gravatte ocupava a montanha até para além do Arche. Tornava-se perigoso atravessá-la, mesmo com uma escolta, porque seria expor inutilmente a vida de três ou quatro pobres soldados.

-Por isso mesmo tenciono ir sem escolta,  disse o bispo.

- Pois Monsenhor intenta semelhante coisa?! exclamou o maire.

-De tal modo que recuso a companhia dos soldados e daqui a uma hora pôr-me-ei a caminho.

-Pois teima em partir?

-Porque não?

-Sozinho?

-Sim.

-Isso é uma temeridade, senhor bispo.

-Há três anos,  replicou o bispo,  que não visito o pequeno e humilde lugarejo da montanha, cujos habitantes e bons pastores, são todos meus amigos. A sua riqueza   é   uma  cabra  de  cada  rebanho de  trinta  que guardam; a sua indústria, é fazer bonitos cordões de lã de diversas cores e o seu divertimento, tocar árias montanhesas em flautins de seis buracos. Precisam de ouvir a palavra de Deus de tempos a tempos. Que haviam de dizer de um bispo medroso? Que diriam se eu lá não fosse?

- Mas, Monsenhor, e os salteadores?

-É verdade, tem razão. Se os encontrasse… Olhe que também devem ter necessidade de ouvir  falar em Deus!

-É uma grande quadrilha!  Um rebanho de lobos!

-Pois talvez seja desse rebanho, senhor maire, que Jesus queira que eu seja pastor. Quem sabe os desígnios da Providência?

-Podem roubá-lo,  senhor bispo.

-Não tenho nada.

-Podem assassiná-lo!

-Ora! com que fim fariam eles mal a um pobre sacerdote que vai a passar, ocupado unicamente em rezar as suas orações?

-Valha-me  Deus!  Que  sucederá  se os  encontrar?

-Pedir-lhes-ei esmola para os meus pobres.

-Em nome do céu, Monsenhor, não exponha a sua vida!

-Pois é esse o seu temor, senhor maire! atalhou o bispo.  Eu não ando no mundo para guardar a minha vida, mas sim para guardar as almas!

Ninguém o pôde fazer mudar de resolução. Apesar de todas as súplicas, partiu acompanhado apenas por um rapaz que se prestou a servir-lhe de guia.

A sua obstinada resistência deu muito que falar, deixando os ânimos sobressaltados em extremo. Desta vez não quis que a irmã nem Magloire o acompanhassem. Atravessou a montanha montado numa mula e chegou são e salvo até aos pastores seus amigos, sem ter tido o menor encontro desagradável. Demorou-se quinze dias no meio deles, pregando, ensinando, moralizando, administrando os sacramentos.

Quando estava prestes a retirar-se, resolveu cantar pontificalmente um Te-Deum e comunicou a sua intenção ao cura. Mas surgiram graves dificuldades, pois não havia as insígnias episcopais que era mister. A modesta igreja paroquial apenas podia pôr à disposição do bispo alguns deteriorados paramentos de damasco, guarnecidos de galões falsos.

Isso  não   será  obstáculo,   senhor  cura,  disse  o bispo.  Anuncie  na  missa  o  nosso   Te-Deum, que  o mais sempre se há-de arranjar.

Procuraram-se paramentos em todas as igrejas dos arredores e reunidas as magnificências das humildes paróquias, mal chegavam para revestir convenientemente um chantre da catedral.

Achavam-se as coisas nestes apuros, quando à porta da residência paroquial chegaram dois cavaleiros desconhecidos que, depois de fazerem entrega de uma grande caixa de que eram portadores, tornaram a partir imediatamente. Aberta a caixa, viu-se que continha uma dalmática carregada de oiro, uma mitra guarnecida de diamantes, uma cruz arquiepiscopal, um báculo magnífico, todos os paramentos pontificais roubados um mês antes da sacristia de Nossa Senhora de Embrun. No fundo da caixa estava um papel em que se liam estas palavras:

Oferta de Gravatte a Monsenhor Bemvindo.

-Eu bem dizia que tudo se havia de arranjar!, exclamou o bispo. Em seguida acrescentou, sorrindo:

-A quem se contentava com a sobrepeliz de um simples cura, envia Deus um manto de arcebispo!

-Deus… ou o diabo! murmurou o pároco, abanando a cabeça com um sorriso de incredulidade.

O bispo fitou atentamente o pároco e replicou em tom austero:

-Foi Deus.

Quando voltou a Chastelar, de todos os lados, vinha gente à beira da estrada para o ver passar. Chegado à residência paroquial de Chastelar, encontrou a irmã e Magloire que o esperavam ali e, apenas as viu, exclamou:

-Então, eu não tinha razão? Vai um pobre sacerdote visitar os infelizes montanheses com as mãos vazias e volta de lá com elas cheias! Quando fui, levava apenas a minha confiança em Deus, e agora volto trazendo o tesouro de uma catedral!

À noite, antes de se deitar, disse ainda:

-Não tenhamos receio de ladrões e de assassinos. São muito pequenos os perigos exteriores. Devemos ter receio é de nós próprios! Os preconceitos e os vícios é que são os verdadeiros ladrões e os verdadeiros assassinos! Os maiores perigos são os que se acham dentro de nós mesmos. Que importa que a nossa cabeça ou a nossa bolsa esteja ameaçada? Não devemos temer senão o que nos ameaça a alma!  Depois, voltando-se para a irmã, acrescentou:  Minha irmã, o sacerdote não deve precaver-se contra o próximo. Aquilo que ele pratica é permitido por Deus. Limitemo-nos a implorar a bondade divina, quando nos julguemos ameaçados por qualquer perigo. Imploremo-la, não por nós, mas para que os nossos irmãos não caiam em tentação por nossa causa.

Óbvio que o tal bispo é uma personagem de ficção de Victor Hugo. Afinal, quando você pensa na palavra “bispo”, não é a figura desse bispo, personagem de Os miseráveis (o qual recebia salário mas a maior parte dele era distribuído aos necessitados, que pregava e exercia as funções de bispo com a mesma simplicidade com a qual arregaçava as mangas para cultivar o jardim ele mesmo, que transformou a casa paroquial em hospital porque o hospital era pequeno demais para abrigar todos os doentes com conforto, que visitava os pobres andando a pé e etc), que você lembra.

A palavra “bispo” nos lembra líderes cheios de empáfia e soberba, que pedem ofertas para comprar canais de tv e rádio, mansões no exterior, fazendas, carros blindados e jatinhos, e se eleger em pleitos eleitorais, e não para ajudar os necessitados. Se a igreja que se diz cristã, se dispusesse a ser relevante socialmente no Brasil, com a aviltante quantia de 1 bilhão de reais que arrecada por mês, livre de impostos, ela faria toda a diferença.

Esse tipo de personagem só existe mesmo na ficção, a realidade é bem outra.

Não estou dizendo que o cristão deve se expor a bandidos e arriscar sua vida como fez o bispo da história (e os tempos são bem outros, hoje em dia a vida não vale mais coisa alguma para ninguém, tira-se a vida de pessoas como quem apaga um cigarro), mas que um cristão não deve usar isso como justificativa para ficar escondido dentro da igreja, se protegendo de tudo  e de todos, porque as pessoas que mais precisam de Deus, estão do lado de fora. Se tentássemos usar de mais simplicidade e colocássemos mais amor no nosso cristianismo, as coisas seriam bem diferentes.

Mas insistimos em cair no mesmo erro religioso de sempre, aquele erro que consiste em buscar ostentação e enriquecimento para nossos líderes, para o sistema religioso do qual fazemos parte, e para nós mesmos, antes de buscar o Reino de Deus e a sua justiça. Nós não estamos de fato preocupados com o próximo, mas apenas conosco mesmos. E ainda somos capazes de agir como os amigos de Jó, que o acusaram pelas desgraças que se abateram na sua vida, em vez de tentar consolar e ajudar.

Muito estranho esse nosso “cristianismo”…