Implicações teológicas de uma criação em evolução

por Keith B. Miller

O debate criação-evolução solapou a energia vital da comunidade cristã. Em vez de construir o Reino de Deus, tem sido, ao meu ver, tanto destrutivo para a unidade do corpo de Cristo, quanto uma distração com relação à verdadeira missão desse corpo, ordenada por Deus. Essa missão é viver como portadores da imagem de Deus,  administrando Sua criação e proclamando Sua mensagem de reconciliação para o mundo.

No debate a respeito do entendimento adequado do relato de Gênesis, maior atenção tem sido dada aos méritos científicos dos vários cenários da criação. O que tem sido amplamente deixado de lado nesses debates, é uma consideração das implicações teológicas dessas várias interpretações, para nosso entendimento a respeito do caráter de Deus, o relacionamento de Deus com sua criação, e o nosso relacionamento com o restante da criação. Afinal, é a essas questões básicas que o relato de Gênesis é primeiramente, se não exclusivamente, se refere. Adicionalmente, muita da resistência à cosmologias evolucionárias entre cristãos evangélicos, é um conflito percebido com as doutrinas fundamentais da fé. Por essas razões, vou trabalhar diretamente com as implicações teológicas do que prefiro chamar o ponto de vista da criação contínua. O termo “criacionismo contínuo” tem sido usado, tanto por Wilcox e Moltmann, como um rótulo útil para uma visão totalmente teísta de uma criação que possui uma ininterrupta e longa história criativa. De acordo com esse ponto de vista, Deus está continuamente atuando na sua criação por meio dos processos que investigamos com nossas ciências.

Integridade da criação de Deus

Creio que é muito importante reconhecer o trabalho de Deus no meio natural, Sua criação, como uma fonte de verdade a respeito do Criador. A fé em um Deus racional e ordenador, cujos trabalhos de criação são ordenados e compreensíveis para as criaturas nas quais ele investiu sua própria imagem, é fundamental para a prática da ciência moderna.  Se o mundo natural não contém um registro confiável de sua história passada, em que bases pode ser estudado e com qual propósito? Ainda mais importante, o que esse mundo poderia nos comunicar a respeito do caráter do seu Criador?

A criação de Deus, como revelação às suas criaturas sobre quem Ele é, pode proporcional um registro acurado da atividade criativa de Deus: da forma como o universo realmente foi e é. Mudanças progressivas ao longo do tempo, tanto na cosmologia, geologia ou biologia, é a conclusão esmagadora da leitura do registro da criação. Colocado desta forma, qualquer cenário de “criação com idade” é insustentável.

Um registro verdadeiro e compreensivo da criação, afirma tanto o significado da história natural quanto o da história humana. O cristianismo é fundamentalmente uma religião histórica, e nosso entendimento sobre Deus é baseado em Sua interação histórica com Seu povo. A história humana flui para trás perfeitamente junto com a história natural, e qualquer um que coloca em dúvida a validade desta última (a história natural), ameaça também nossa confiança no Criador.  Como colocado por Menninga “… se aceitamos o conceito de “idade aparente”, ficamos sem nenhuma garantia sobre a realidade de qualquer outro registro histórico.” A integridade da criação confirma a confiabilidade do caráter de Deus. O Deus revelado na natureza é o mesmo que revelou a Si mesmo na Escritura e em carne humana – isto é, o Deus da história e o Deus da verdade.

Enormidade da criação de Deus

Nosso contínuo desenvolvimento do entendimento científico sobre a história cósmica, ao invés de ser visto como reduzir Deus a alguma distante e irrelevante “causa primeira”, deve produzir temor diante dos incalculáveis poder e sabedoria de Deus. O Deus ao qual oramos exerce seu poder criativo a uma distância tão grande, que a luz requer bilhões de anos para atravessar essa distância, e o Deus para o qual oramos, tem moldado e dirigido Sua criação por bilhões de anos. Quando Deus procurou comunicar Sua transcendência, poder e autoridade à Jó, instruiu-o a contemplar o universo criado. Quando contemplamos o universo hoje, não deveríamos, mais do que Jó, ser esmagados pela grandeza de Deus?

A imensidão do universo, tanto no espaço quanto no tempo, enfatiza, da forma mais marcante, o quanto a humanidade é pequena.  Em comparação ao universo físico que a ciência procura conhecer, somos absolutamente insignificantes. Apesar de ter vivido numa época em que o universo era percebido coo se fosse muito menor, Davi pôde dizer: “Quando considero o céu, o trabalho das suas mãso, a lua e as estrelas, os quais você colocou no lugar, o que é o homem para que esteja atento a ele, e o que é o filho do homem para que você cuide dele?” (Salmos 8:3-4). A vastidão incompreensível do universo, enquanto nos força a encarar nossa pequenez, enfatiza ao mesmo tempo a graça de Deus, em nos fazer à Sua imagem  e nos chamar a ter comunhão com Ele.  Além de todas as expectativas e possibilidades, Deus escolheu nos amar e se identificar conosco.[…]

[…]Nossa própria transformação à imagem de Cristo é um processo, até mesmo doloroso, e não algo que ocorre instantaneamente após nossa conversão. Ele mesmo nos comissionou, criaturas tão pecadoras, para ser agentes do seu trabalho de redenção.  A eficiência claramente não é uma prioridade na atividade redentora de Deus; porque deveríamos requerer que Sua atividade criativa fosse assim?[…]

[…]Morte e sofrimento não precisam ser entendidos como corrupções satânicas da ordem da criação. Ao contrário, ambos refletem a natureza de um Deus que sofreu e morreu pela vida das Suas criaturas.  Vida da morte – esse é o padrão bíblico e o padrão da criação. Há congruência aqui, e não um contraste irreconciliável. No mundo natura, a vida surge do material morto, a própria Terra é formada de materiais originados em cataclismas de estrelas. A imagem da ressurreição é vista em toda parte. Que um Deus que se fez carne e morreu pela vida das Suas criaturas, tenha planejado o mundo desta forma, me parece a mais perfeita das metáforas cósmicas.[…]

[…] Entender o significado do nosso domínio como criaturas feitas à imagem de Deus, tem que ser com base na Escritura. A igreja, entretanto, tem com frequência adotado o ponto de vista da dominação – ou seja, poder demonstrado e exploração egoísta. Temos muitas vezes tratado a criação como um inimigo que requer controle à força ou como uma fonte inesgotável de recursos para serem usados para o nosso prazer. O ponto de vista a respeito disso, em total contraste, é o do serviço sacrificial. O modelo do Antigo Testamento, do rei que socorre os oprimidos e tem compaixão pelos necessitados, fracos e aflitos. Como cristãos, nosso modelo deve ser aquele expressado por Cristo, em cuja imagem nós temos que nos basear. E Cristo exerceu sua autoridade divina como servo, em compaixão e humildade. Esta é a regra para o nosso domínio sobre as criaturas não humanas!

A aplicação da imitação de Cristo como nossa regra para exercer domínio sobre o resto da criação, é radical, porque se opõe ao egocentrismo e materialismo da nossa sociedade. Cristo nos chama a carregar nossa cruz, negar a nós mesmos e viver de forma sacrificial a serviço de outros. Em seu livro Imaging God, Douglas Hall pergunta, “O que os poderosos deste mundo fazem do domínio de um Senhor que chora, um pastor que dá sua vida pelas ovelhas, um rei montando num jumento que foi ridicularizado, julgado e executado pelos poderes da época?  E o que pode significar para nós imaginar o domínio de um rei desses na nossa vida com o restante da criação?” Esta pergunta clama por uma resposta por parte da igreja.

O reconhecimento da nossa posição como imagem de Deus pode fazer da igreja uma força poderosa para a gestão ambiental, mas a igreja tem permanecido em silêncio.[…]

Theological implicantions of an evolving creation – Keith B. Miller

Não traduzi o texto inteiro, quem quiser ler a íntegra, favor acessar o link logo acima.

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